DANORÂMICO esmiúça: MAS POR QUÊ RAIOS HOJE É FERIADO!?

As primeiras perguntas que muita gente deve se fazer são: 
QUEM FOI TIRADENTES?
POR QUÊ ELE TEM UM FERIADO E UMA CIDADE QUE O HOMENAGEIA!?

Em Minas Gerais é muito comum estudarmos isso logo no começo da vida escolar, mas em outros estados brasileiros a Inconfidência Mineira cede espaço para eventos históricos de cada região, como a Guerra dos Farrapos, ou Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul, ou a Guerra de Canudos, na Bahia.
Portanto é comum que povos de outros estados não conheçam bem o que foi a Inconfidência Mineira, Tiradentes... pensando bem, acho que muitos mineiros legítimos também não o sabem, mas o THE-DÃÃÃ te conta num vapt-vupt...


Prazer, esse é o Alferes Joaquim José da Silva Xavier,
 o Tiradentes!


Pra quem conhece Belo Horizonte, ele é o mesmo "Seu Zé" que fica na Praça Tiradentes, entre as Avenidas Afonso Pena e Brasil (não, nada a ver com a novela das 8 que começa às 9).

Enfim. O "Seu" Tiradentes, ou melhor, o Alferes Joaquim (alferes eram o mesmo que os cadetes atuais do exército brasileiros) foi batizado em 12 de Novembro de 1746 na Fazenda de Pombal, em Minas Gerais. Se tornou dentista, tropeiro, minerador, comerciante e militar.

No Dragões do Exército ele se especializou na área de mineração e reconhecimento de terreno, sabendo fazer levantamentos de enormes áreas, mas não conseguiu subir sua patente, o que o deixou frustrado em relação ao tratamento que a Coroa Portuguesa dava aos colonos.

Logo após realizar um importante e grande levantamento a respeito do relevo e terreno do sudeste brasileiro, Joaquim foi morar no Rio de Janeiro, onde criou projetos de canalização e construção de aquedutos para melhoria do abastecimento de água e saneamento do Rio de Janeiro (vemos aqui que Tiradentes também foi um pouco urbanista), mas a Coroa Portuguesa simplesmente disse NÃO às propostas de Joaquim José, o que criou nele uma enorme vontade de ver o Brasil , então colônia, liberto e independente de Portugal e seu pensamento bitolado.

Joaquim José retornou então para as Minas Gerais e começou a pregar o discurso de independência daquela província. Conseguiu apoio de religiosos importantes, da elite e de intelectuais. O movimento de Independência das Minas Gerais ganhou força quando os Estados Unidos declararam independência da Inglaterra.

Chegou-se até a criar uma bandeira para o movimento de libertação das Minas Gerais, que é idêntica à atual bandeira do estado, porém de cor diferente: verde.
Ficheiro:Bandeira da Inconfidência Mineira.svg
A Bandeira da Inconfidência Mineira

Obviamente que o plano que faria das Minas Gerais um país democrata, independente de Portugal e separado do restante do Brasil politicamente, com capital em São João Del Rey, era segredo absoluto. Os participantes dessa conspiração contra a Coroa Portuguesa era chamados de confidentes, pois guardavam o importante segredo sobre a revolta.

O plano era simplesmente se rebelar contra o Exército :Real, os Dragões, e clamar a população a estabelecer uma nova ordem que incluía a industrialização do país que nasceria. a instalação de uma universidade em Vila Rica, atual Ouro Preto e o armamento de toda a população afim de eliminar a necessidade de se manter um exército. Além disso, eles ainda fariam eleições, tal como numa República Democrática.

Mas o que eram confidências se tornaram inconfidências quando Joaquim Silvério dos Reis, Basílio de Brito e Inácio Correia de Pamplona, em troca do perdão de suas dívidas com a Real Fazenda (Coroa Portuguesa), entregaram o movimento e delataram todos os planos e ativistas da revolta.

Foi o fim de um sonho. Em Minas, todos os confidentes, agora chamados de Inconfidentes (Inconfidência era o termo usado para definir o crime de traição ao Rei), foram presos, incluindo Tiradentes, que no primeiro momento negou sua participação na revolta, mas em seguida assumiu sozinho a culpa pelo levante, sendo condenado à pena capital pela própria D. Maria I de Portugal, ou seja, ao enforcamento e esquartejamento. Os outros participantes foram inocentados, já que Tiradentes assumiu a culpa toda, mas foram condenados ao degredo, que é o mesmo que exílio, ou "ser levado para uma ilha ou terra bem distante".

Tiradentes foi então enforcado no Rio de Janeiro e esquartejado. Partes de seu corpo foram sendo expostas em cidades que ficavam no caminho entre o Rio e Vila Rica, de forma a alertar à população contra o crime de lesa-majestade e traição ao Rei. A cabeça foi então erguida num poste em Vila Rica, de lá foi roubada, mas nunca se descobriu quem e para onde a levaram.


Ficheiro:Tiradentes Esquartejado (Pedro Américo, 1893).jpg

Tiradentes Esquartejado. De Pedro Américo, 1893.


 Tiradentes, como foi apelidado devido uma de suas profissões, a de dentista, tornou-se uma personalidade histórica esquecida, mesmo depois da Independência do Brasil em 1822. O motivo na demora do reconhecimento de Tiradentes como Herói Nacional, se deu pelo fato de o país continuar sendo uma Monarquia, mesmo depois de se desligar de Portugal. Os Imperadores, D. Pedro I e Dom Pedro II eram neto e bisneto, respectivamente, de D. Maria I, a qual sentenciou Tiradentes à morte por traição.

 O reconhecimento de Tiradentes como mártir e Herói Nacional só veio com o Brasil República, e na necessidade do novo regime de governo em criar símbolos que fossem contra a imagem da monarquia, sobretudo à lembrança de Portugal.

 Foi então que Tiradentes teve sua biografia consagrada como heroica em prol do Brasil como um todo, e não somente de Minas, já que o plano da Inconfidência Mineira era tornar apenas Minas Gerais um país.

 A Vila de São José do Rio das Mortes foi renomeada com o nome de Tiradentes, o dia de sua execução, 21 de abril, tornou-se feriado nacional e logradouros com o nome Tiradentes pipocaram pelo país, tudo em prol do esquecimento rápido da monarquia.

 A vida e morte de Tiradentes já foi retratada na para o cinema, televisão e teatro em diversas versões e épocas. Tornou-se tema de intermináveis livros, estudos, teses e pesquisas e até de samba-enredo para a Escola de Samba Império Serrano, do Rio de Janeiro.

 by Dan Penido










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